SPFW.

Nesse sábado, último dia de SPFW reuniu Pedro Lourenço, João Pimenta, Fernanda Yamamoto, Amapó, André Lima  e Ronaldo Fraga, confiram:



 A Pedro Lourenço entrando no calendário de Paris, contratou um grande escritório de PR, o KCD (Louis Vuitton, McQueen...) e passou a aparecer nas páginas de revistas como “Harper´s Bazaar”, sempre em tom elogioso. Recentemente, Lady Gaga usou uma de suas peças e essa é apenas mais uma etapa do sucesso crescente de Pedro. Hoje, a apresentação que fez no hotel Fasano foi divisora de águas em sua carreira. Pedro optou por fazer uma demonstração intimista de sua coleção, em que, com o microfone em mãos, explicava todos os detalhes das peças, contava curiosidades de compradores internacionais e respondia às perguntas que surgiam vez ou outra. “Resolvi fazer assim, pois quero ter mais contato com a imprensa e poder explicar meu produto pessoalmente”, disse ele. A coleção, extremamente bem amarrada e realizada, é de encher os olhos e também traz uma boa notícia. Ele deu um passo à frente ao incorporar outros materiais ao seu trabalho, até então especialmente feito com a rigidez do couro e do neoprene. Também criou uma ligação com o Brasil, que até então não existia, através de estampas de tucanos, araras e coqueiros. Tropical sim, mas sem obviedades ou estereótipos. É o que o mercado internacional espera do Brasil, uma identidade própria, com design, qualidade e acabamento. No primeiro vestido, feito em couro francês, a estampa de coqueiros é produzida em crepe Chanel duplo. O zíper é suíço, banhado a ouro e de tão bonito, acaba funcionando como um plus na roupa. Há em todos os looks as referências gráficas que estão no trabalho de Pedro desde o início. Vemos ainda calças de algodão com seda, camisas com jogo gráfico de cores e lindos maiôs, que podem ser usados como tops ou para entrar na água mesmo. Uma saia de couro, por exemplo, pode ser encomendada em qualquer cor e é feita daquele couro fininho com o qual os franceses produzem as luvas mais sofisticadas. Mas as peças mais impressionantes são as que fazem um jogo com o zíper, de forma que você abre uma parte para revelar uma estampa ou uma textura colorida de tweed, feita em tear de fio de algodão, lã e palha. O efeito é maravilhoso. O último look, um vestido bem fresquinho, que ressalta a silhueta do corpo, foi encomendado pela Barney´s (EUA). “Eles gostam de peças mais fáceis de usar, com mais decotes”, explica Pedro, que usa muitas matérias-primas estrangeiras, mas produz todas as peças no Brasil. Ao final, as araras com as roupas são trazidas para a gente poder tocar, sentir as texturas e checar o acabamento. E o comentário era um só: que belo trabalho, Pedro.


 A marca João Pimenta, traz um  dos únicos estilistas brasileiros de moda masculina a realmente se permitir experimentações, apresentou uma coleção trabalhada sobre o ponto de partida de “roupas extremamente livres”. Para isso, as formas eram amplas, longe do corpo, ajustadas somente com franzidos e pregas e, eventualmente, com cintas que davam ao look um quê de traje típico da Mongólia. A exceção ficou por conta das três segunda-peles com bordados coloridos que mais revelavam do que escondiam o corpo dos modelos. Com tecidos frescos e leves, os tradicionais preto e off-white do estilista surgiram misturados a tons vibrantes de azul, rosa e amarelo, na maioria das vezes em visuais monocromáticos. Ah, detalhe: enquanto Andrej Pejic causou um bafafá desfilando para coleções femininas no Fashion Rio e no SPFW, a modelo Carla Monfort apareceu discretamente em um look de paletó, bermuda e legging curta brilhante para João Pimenta, vejam:



  A marca Fernanda Yamamoto traz estampas da Hello Kitty, logo pensamos que teríamos uma coleção inteira em rosa-chiclete – o que, felizmente, não aconteceu. As duas estampas digitais com a personagem da Sanrio foram desenvolvidas pela ilustradora Iamana, e abriram o desfile com discrição nos tons terrosos que acompanharam a maior parte da coleção. Com inspiração na natureza, Fernanda Yamamoto apresentou texturas misturando tecidos de diversos acabamentos cobertos por bordados de linha colorida. Suas usuais formas geométricas, no entanto, foram substituídas por linhas orgânicas, curvas, onduladas, casando com a vibe natural do desfile – que acompanhou desde os acessórios de cabelo (folhas coletadas pelo maquiador Marcos Costa em Goiânia) até a trilha sonora que lembrava o barulho de água corrente.


  A Amapô vem com uma coleção inspirada no Espírito Aloha, lembranças e visuais das viagens. Se depender da Amapô, podemos arrumar as malas agora e ir para um lugar perto da natureza. Uma coleção rave-rasta-psicodélica, multicolorida, viajandona. O artista plástico Rick Castro colabora com uma linda estampa, chamada Portal. As estilistas continuam brincando de deslocar a alfaiataria, mudando as proporções de lugar em paletós e camisas. O masculino se destaca com macacões amplos e calças multicoloridas, confortáveis e frescas (que também aparecem no feminino), daquelas para usar e esquecer da vida. Ao final, um vestido estilo “Elizabeth”, com megagola estruturada, leva o trabalho de babados ao extremo, mas que pouco tem a ver com a vibe da coleção. Com bom humor, as meninas dão o caminho do verão. 

 A André Lima vem sem se limitar a uma referência só, criando um universo festivo de paetês, africanismos e glamour retrô para o seu Verão 2012. Silhuetas alongadas, comprimentos até o chão e fendas generosas – algumas que até dificultavam o caminhar das modelos – marcaram a coleção, que também teve abusados maiôs de cava asa-delta. Um dos diferenciais para a nova temporada são as calças: o estilista amplia sua área de atuação para além dos vestidos e propõe a volta das calças de festa, que vêm amplas, com modelagem generosa e tecidos ricos.



  A Ronaldo Fraga vem com uma coleção inspirado em Noel Rosa, o cronista do Brasil, encerrando a temporada de Verão 2012 o desfile emocionante do Ronaldo Fraga tem direito a guerra de confete, trilha ao vivo com a Velha Guarda da Vila Isabel e o charmosérrimo Rafael Raposo, cantando com paixão e samba no pé alguns dos hits de Noel, que eram entoados por parte da plateia. Entrega tudo em preto e branco. Ronaldo encontra dezenas de maneira de trabalhar o encontro dessas duas cores amantes e tão opostas. Seus marinheiros (na verdade “marinheiras”) e colombinas; saias, vestidos, camisas, calças, com muitos efeitos de camadas de plissados e babados, que pontuam a apresentação. Lindo o trabalho com tule, que traz delicadas transparências aos looks. É sua coleção mais comercial até hoje, com volumes mais contidos e belíssimas “roupas de baile”, pretas e cravejadas de cristais .
  
E assim acaba a edição verão 2012 do SPFW, até mais, R.


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