SPFW.

Nessa sexta-feira o SPFW reuniu os desfiles de Alexandre Herchcovitch (masc.), Neon, Ellus, V.Rom, FH por Fause Haten, Adriana Degreas e Lino Villaventura, confiram um breve mix do dia:


  Alexandre Herchcovitch (masc.) veio com o tema Caça, pesca, camping, um desfile somente para íntimos, menos de 200 pessoas, na Lado B, anexo da loja MiCasa. Se não fosse a luz forte de passarela e as paredes de concreto, poderíamos ser transportados para o meio de uma floresta, pisando em folhagens e, mais tarde, pós-chuva, em poças d´água, barulhinhos que fizeram a trilha da apresentação. O melhor de tudo, esses novos caçadores, usam muito vermelho, rosa, lima e estampas florais, em peças utilitárias, como casacões, coletes e trenchs cheios de bolsos e zípers. E lindos, peças-desejo de algumas das mulheres que assistiam ao desfile. Na plateia, os convidados brincavam que eram roupas que levavam a vida junto, por conta da quantidade de espaços. As calças cáqui aparecem arregaçadas e até os sapatos viram galochas urbanas, com proteção plástica contra água. Boas também as camisetas rosa e lima em um nylon bem fininho. O jogo de cores e a combinação de tons neutros com estampas são lindos, coisa que Alexandre domina tão bem.


 A Neon traz como referência da coleção Bauhaus Tropical, Balneário, étnico e rústico sofisticado, mistura formas retas, preto & branco, padronagens e estampas gráficas, shapes anos 60, com materiais naturais, perfume étnico, cores fortes e a leveza tropical de macaquinhos frescos. Cores marcantes e inspiração 60´s, estamparia clássica da Neon entrou da metade para o fim em macaquinhos, calças, camisas e shorts, em um bom encontro de estampas que trouxe o ar étnico da coleção, além de agradar as clientes da marca obcecadas por sua estamparia criativa e exuberante. A marca se apresenta mais comercial e sem um foco único, já que passa por vários exercícios de proporções, formas e cores, vindas de influências e referências diversas. Há boas opções de peças usáveis para o verão, porém sem perder a mão e o humor. E claro, um desfile da Neon nunca é somente um desfile. Apresentada do lado de fora do Mube, debaixo de céu azul, a apresentação sintonizou o fashion people em uma energia vibrante, perfeita para encarar a reta final dessa maratona.


  A Ellus traz para a passarela uma indie rock band com Geanine Marques nos vocais, a Ellus mostrou seu verão 2012 no parque do Ibirapuera, atrás do auditório, numa linda e fresca tarde de sol. Com pitadas de punk chique, universo motocross e inspirada por festivais de música ao livre, a estilista Adriana Bozon mostrou vestidos com formas amplas, túnicas com cauda e peças assimétricas, além de pantalonas em tecidos brilhantes e calças bem justas. O jeanswear é o ponto chave, com denim blue de aspecto sujo ou empoeirado e a linha color, com lavagens claras, em roupas para ele e para elas, com uma linguagem urbana e cool em vestidos, shorts, calças e jaquetas com recortes em couro, texturas de pele de cobra, metalizados ou furta-cor, trazendo detalhes localizados de fivelas. é tudo de bom ou não é ?


 A V.Rom vem com inspiração no filme “Fome de Viver”, filme cult de Tony Scott. Nada mais sedutor do que um vampiro, mas essa atual onda vampiresca, com “Crepúsculo”, transformou esses personagens cheios de mistério em tontos desequilibrados emocionalmente, desgastados pelas mãos de jovens atores sem charme. Por sorte, a V.Rom olhou para o filme “Fome de Viver”, que marcou os anos 80, partindo dessa história, a V.Rom mostra os novos “gladiadores urbanos” que lutam por sua sobrevivência. Mas o clima sombrio fica só na passarela, já que a coleção, apesar de escura, é produzida em tecidos leves e tem as peças coringa do guarda-roupa masculino (calça, paletó, camisa e bermuda) desenvolvidas em um shape atual e confortável, cheio de referências esportivas e cores neutras, como branco, preto e marinho, com pontos metalizados, resultando em uma imagem cool. Há paletós curtos, camisas longas, calças mais folgadas com barras elevadas e pencas de bermudas. Com o casting mais bonito da SPFW (Diogo Veiga e Rafael Argento entre eles), devidamente vampirizados, com a boca suja de sangue (fantasia). Hot. O desfile começa com meninos mais jovens e termina com modelos mais velhos, simbolizando a perda da juventude dos amantes de Miriam.


 A FH por Fause Haten traz desfiles-performance que são perigosos, no caso da apresentação do Verão 2012 da FH, felizmente (para Fause e para os convidados), houve um casamento certeiro entre teatro e moda no desfile experimental idealizado pelo estilista. Com a proposta de trabalhar o silêncio e desconfigurar o tradicional vai e vem musicado da passarela, Fause pensou em uma performance em que as modelos entravam vendadas, andando com a ajuda de condutores discretamente vestidos de preto. A trilha também foi repensada para o evento, e uma narração que citava uma personagem “Clarisse, que dorme” era acompanhada apenas pelo som delicado de caixinhas de música. A coleção em si dialogava com a narração por meio das vendas que cobriam os olhos das modelos e a modelagem tipo camisola e camiseta. Delicadas, as lindas rendas do desfile eram combinadas a materiais mais consistentes como couro, e salpicadas com cristais e brilhos bem fininhos intercalando transparência e peso. A apresentação teve clima de sonho e vulnerabilidade, e terminou com um “Acorda, Clarisse” quase sussurrado, ao que todas as modelos, distribuídas pela larga passarela, removeram suas vendas.


 O tema da coleção da Adriana Degreas é “O jeito chic de ser brasileiro”, riquíssima, buscando referências nos anos 1970 tanto nas formas amplas, com cinturas altas e muitas peças de um ombro só, quanto nas musas: Maria Theresa Goulart, Eugênia Fleury, Rose di Primo, Carmen Mayrink Veiga – representada na passarela por sua filha Antonia Frering, e Sônia Braga, que fechou a apresentação com poses, caras e bocas que arrancaram aplausos da plateia. Destaques da apresentação foram os tecidos, especialmente os estampados. Desenvolvidas sob encomenda da estilista, as imagens variavam entre reproduções de telas à óleo do artista holandês Albert Eckhout até desenhos estilizados de plumas de araras, impactantes no kaftan de ombros transparentes que apareceu na metade do desfile. No geral, ponto para a sofisticação mantida mesmo nos abusados looks finais desta coleção de moda praia voltada para mulheres, vejam Sônia Braga :




 A Lino Villaventura, encerrou a penúltima noite do SPFW trazendo para a passarela da Bienal verdadeiras deusas etéreas, vindas direto do Olimpo. O verão do designer brinca com cores fortes, puras, lavadas ou em degradês, especialmente nos vestidos em diferentes comprimentos. Linda a séria em seda, organza, tule, crepe e musseline, com nervuras e plissados, e dorso à mostra por meio de construções assimétricas. Todos com flores de tecido ou broches criados com cristais e vidrilhos, dando sustentação a pregas que criam volumes delicados.Bonito também a combinação de body, em tatoo art rococó, com vestidos e vestes num patchwork de rendas, materiais nobres e bordados com linhas e nervuras, com saias mais volumosas. Além de trazer o nosso lindo e maravilhoso Andrej Pejic para as passarelas, vejam:



Até mais, xoxo from R.


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